As tragédias decorrentes de marquises que caem ou incêndios em instalações elétricas mostram o quanto a conservação de edifícios é um tema sensível. O síndico é o representante legal do condomínio e sua atuação influencia diretamente a segurança e o valor do patrimônio. A norma ABNT NBR 5674 traz os requisitos para o sistema de gestão de manutenção de edificações, determinando que os responsáveis pela manutenção devem preservar as características originais da construção e prevenir a perda de desempenho dos sistemas prediais. Neste artigo vamos explicar a importância de um plano de manutenção ativo, o papel do síndico e as obrigações legais e técnicas que envolvem a gestão predial.

O que diz a ABNT NBR 5674

A NBR 5674 fornece diretrizes para organizar o sistema de manutenção de qualquer edificação. Seu objetivo é garantir que os usuários desfrutem do desempenho previsto em projeto por meio de procedimentos que preservem as características originais e evitem a degradação dos elementos. A norma estabelece que mesmo edificações existentes antes de sua vigência devem criar programas de manutenção com base em seus preceitos. Entre os pontos mais importantes estão:

Responsabilidades legais do síndico

Pelo Código Civil (art. 1 348) o síndico deve zelar pela conservação e guarda das partes comuns, elaborar orçamento anual, representar o condomínio e prestar contas. A legislação condominial (Lei 4.591/64) reforça que ele é o responsável pela preservação e manutenção do patrimônio coletivo. A NBR 5674 e o Manual do Síndico do CREA‑SC complementam essas obrigações e apontam que:

Importância de um plano de manutenção ativo

Criar um plano de manutenção e deixá‑lo engavetado não atende à NBR 5674. A norma exige que o programa seja ativo, isto é, continuamente atualizado e executado. Um plano ativo traz benefícios diretos para o condomínio:

Etapas para elaborar e implementar o plano de manutenção

A seguir estão os passos essenciais para estruturar um plano de manutenção preventiva conforme a NBR 5674 e as melhores práticas de gestão condominial:

  1. Mapeamento inicial – Levantar todos os sistemas e componentes do edifício (estruturas, instalações elétricas e hidráulicas, elevadores, sistemas de segurança etc.) para identificar suas particularidades e condições. Considerar a tipologia, o uso, o tamanho e a complexidade da edificação e de seus sistemas.
  2. Elaboração do plano – Com apoio de engenheiro ou arquiteto, desenvolver um cronograma detalhado contemplando manutenções preventivas e corretivas, definindo responsáveis, periodicidade e recursos necessários. A programação deve basear‑se em projetos, memoriais descritivos e no manual de uso e operação.
  3. Elaboração do manual – O manual de uso, operação e manutenção (NBR 14037) deve instruir condôminos e prestadores sobre o uso adequado da edificação e servir de guia para o plano. Ele deve ser entregue aos proprietários e atualizado sempre que houver modificações significativas.
  4. Contratação de profissionais – Selecionar empresas ou profissionais habilitados para elaborar laudos e executar intervenções. Exigir a ART ou RRT para cada serviço, garantindo a responsabilidade técnica.
  5. Execução e fiscalização – Realizar as manutenções conforme o cronograma e fiscalizar a execução das obras. O síndico deve acompanhar os serviços, verificar a qualidade e exigir o cumprimento das normas de segurança. Também deve fiscalizar reformas nas unidades privativas, exigindo a observância da NBR 16280.
  6. Revisões periódicas e registros – As inspeções devem ser periódicas e seus resultados apresentados em assembleia. Manter registros de todas as atividades, laudos e notas fiscais é fundamental para evidenciar o cumprimento do plano.

Cultura da manutenção preventiva e participação dos condôminos

Estabelecer uma cultura de prevenção é mais do que seguir a norma; é encarar a manutenção como investimento na segurança e na valorização do patrimônio. Síndicos e condôminos devem trabalhar juntos para:

Conclusão

A manutenção preventiva é o alicerce da vida útil dos edifícios e da segurança coletiva. A ABNT NBR 5674 oferece o caminho para organizar o sistema de manutenção, mas é o síndico quem transforma a norma em realidade. Cabe a ele elaborar e executar um plano de manutenção ativo, contratar profissionais qualificados, fiscalizar intervenções, prestar contas e manter diálogo com os condôminos. Ao cumprir essas responsabilidades, o síndico não apenas atende às normas técnicas e legais, mas também protege vidas, preserva o patrimônio e garante a valorização do condomínio a longo prazo.